22 a 29 de Julho 2009Chão: Rua Anchieta, 31. Construído após o terramoto de 1755, no âmbito da extensão ao Chiado do plano pombalino de reconstrução da Baixa, o edifício nº 31 da Rua Anchieta, que faz esquina com a Rua Garrett (nºs 69 a 75), albergou desde 1773 no seu piso térreo a livraria Bertrand. A livraria foi fundada em 1732 por Pedro Faure, e instalou-se inicialmente na esquina da Rua Direita do Loreto com a Rua do Norte. Depois da sociedade com os irmãos Pierre e Jean Joseph Bertrand, o estabelecimento passou a chamar-se Pedro Faure e Irmãos Bertrand, tendo adoptado ainda outras designações até chegar à que hoje conhecemos. A livraria passou também por várias gerências e por uma outra localização antes de se fixar na Rua Garrett/Anchieta. Os restantes pisos, actualmente desocupados, albergaram até recentemente os escritórios da Editora Bertrand, tal como escritórios de outras empresas, consultórios médicos e habitações privadas. Os planos actuais para o local prevêem a reabilitação dos pisos superiores do edifício para habitação.
CALENDÁRIO:
22 a 29 de Julho (quarta a quarta) das 15 às 20h | RE INVENTAR O DIA CLARO
instalação de Paulo T. Silva
22 a 29 de Julho (quarta a quarta) das 15 às 20h | RE COMEÇAR
esboço de inventariação do material relacionado com o mixed-media “Almada, Um Nome de Guerra” de Ernesto de Sousa
esboço de inventariação do material relacionado com o mixed-media “Almada, Um Nome de Guerra” de Ernesto de Sousa
23 de Julho (quinta) 21:30h | PALAVRA OU OLHAR?
debate sobre poesia visual com E. Mello e Castro, Fátima Lambert, Fernando Aguiar e José Bártolo
24 de Julho (sexta) 21:30h | UMA CRIAÇÃO CONSCIENTE DE SITUAÇÕES
debate à volta da obra e do legado de Ernesto de Sousa, com Adriana Sá, Filomena Sousa Gomes, João Fernandes, Leonel Moura, e Rui Eduardo Paes
25 de Julho (sábado) das 14 às 18h | WORKSHOP DE TIPOGRAFIA
orientado por Paulo T. Silva e M. M. Malaquias, com projecção do filme HELVETICA de Gary Hustwit
25 de Julho (sábado) 22h | 1 LIVRO
Apresentação ao vivo da peça sonora criada a partir de "A Invenção do Dia Claro", de José de Almada. Por Jari Marjamäki (laptop), Lula Pena (voz), Miguel Sá (laptop), Luís Elgris (voz pré-gravada) e Paulo T. Silva (proposta).
PROGRAMA:
Com o programa proposto pretende-se abordar o tema das Letras através da palavra escrita, inscrita e dita.
1. RE INVENTAR O DIA CLARO
Instalação de Paulo T. Silva
A intervenção parte do mixed-media “Almada, Nome de Guerra” (1969-1983), do artista português Ernesto de Sousa (1921-1988) e da obra literária de Almada Negreiros (1893-1970). Como noutros trabalhos que realizou, Ernesto de Sousa convoca nesta peça o génio de Almada Negreiros, recorrendo a textos do autor e ao material documental (filme, fotografias, registos sonoros) que ele próprio recolheu ao longo de anos em entrevistas com Almada e em filmagens no seu atelier e noutros locais de trabalho.
2. 1 LIVRO
Por Lula Pena (voz), Miguel Sá (laptop), Jari Marjamäki (laptop), Luís Elgris (voz pré-gravada) e Paulo T. Silva (proposta)
Apresentação ao vivo da peça sonora criada a partir de um excerto de "A Invenção do Dia Claro", de José de Almada Negreiros.
3. RE COMEÇAR
Esboço de inventariação de “Almada, Um Nome de Guerra” de Ernesto de Sousa
“Almada, Um Nome de Guerra” é provavelmente a obra/projecto mais complexa de Ernesto de Sousa. Mixed-media iniciado em 1969 e apresentado em público pela primeira vez em 1983, é composto por diapositivos, filmes, diversas gravações sonoras, e música original de Jorge Peixinho. Para além do compositor português, colaboraram com Ernesto de Sousa nesta obra, entre outros, o designer Carlos Gentilhomem e o artista Fernando Calhau.
4. PALAVRA OU OLHAR?
Com E. Mello e Castro, Fátima Lambert, Fernando Aguiar e José Bártolo
Debate sobre a evolução da poesia visual / concreta / experimental portuguesa: dos caligramas de Almada Negreiros à era do digital.
Com E. Mello e Castro, Fátima Lambert, Fernando Aguiar e José Bártolo
Debate sobre a evolução da poesia visual / concreta / experimental portuguesa: dos caligramas de Almada Negreiros à era do digital.
5. UMA CRIAÇÃO CONSCIENTE DE SITUAÇÕES
Debate sobre a obra e o legado de Ernesto de Sousa, com Adriana Sá, Filomena Sousa Gomes, João Fernandes, Leonel Moura e Rui Eduardo Paes
O percurso de Ernesto de Sousa (Lisboa, 1921-1988) parte de uma formação em ciências, cinema e artes plásticas e abrange os mais variados acontecimentos, acções e situações. Com este debate pretende-se discutir o papel de Ernesto de Sousa no contexto artístico português e estrangeiro dos anos 60 a 80 e a actualidade da sua abordagem à prática artística – da interdisciplinaridade ao mixed-media, da citação à participação.
6. WORKSHOP DE TIPOGRAFIA
Orientado por Paulo T. Silva e M. M. Malaquias
Uma abordagem à definição, função, forma, criação, desenho e história da Tipografia, da sua origem aos processos digitais.
O workshop incluirá a projecção de HELVETICA (80’, cor, som, 2007), filme de Gary Hustwit dedicado ao impacto desta fonte na tipografia, no design gráfico e na cultura visual. Inclui testemunhos de, entre outros, Erik Spiekermann, Wim Crouwel, Neville Brody, Stefan Sagmeister, David Carson, Paula Scher, Experimental Jetset e Rick Poynor. (+ info: http://www.helveticafilm.com/ )
Entrada livre em todas as actividades;
Morada: Rua Anchieta, nº 31 (esquina com Rua Garrett, Chiado)
Apoios: Imogávea, RRJ Arquitectos, Megarim, Vale D’algares, Finepaper, Razzmatazz, Câmara Municipal de Lisboa, Arquivo Nacional Torre do Tombo, GAU, CEMES – Centro de Estudos Multidisciplinares Ernesto de Sousa
Agradecimentos: Alexandre Estrela, António Silveira Gomes, Fernando Costa, Filipa Valadares e Isabel Alves.
Links relacionados:
myspace.com/projectochao
http://www.facebook.com/group.php?gid=117328058831
BIOGRAFIAS:
Adriana Sá (Lisboa, 1972) Formada em música e em Belas Artes pela Mendelsohn Hochscule fur Musik e pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, as suas obras (frequentemente colaborativas) exploram o multimédia e a interdisciplinaridade através da performance, da instalação, do site-specific, da improvisação e da composição. Desde 1998 que o seu trabalho tem sido apresentado na Europa, EUA e Japão, tendo recebido, em 1999, a Bolsa Ernesto de Sousa pelo projecto “Laboratório de Sensações 3”.
Almada Negreiros (José Sobral de) (São Tomé e Príncipe, 1893-1970) estudou na Escola Internacional de Lisboa, onde ingressou em 1911. Em Paris estudou pintura, de 1919 a 1920, tendo vivido ainda em Espanha, de 1927 a 1932. A sua vasta obra abarca diversas disciplinas: pintura, desenho, literatura, dramaturgia, etc. Colaborou com Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro no lançamento do revista Orpheu em 1915, editou a revista Sudoeste a partir de 1935 e foi também colaborador de Portugal Futurista, Contemporânea e Athena. Dos livros editados destacam-se “A Engomadeira”(1915), “Manifesto Anti-Dantas”(1915), “Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Séc. XX”(1917), “K4 O Quadrado Azul”(1917), “A Invenção do Dia Claro”(1921) e “Nome de Guerra”(1925, ed.1938). No âmbito das artes plásticas realizou, a partir de 1913, várias exposições individuais e colectivas e produziu trabalhos como os frescos das Gares Marítimas de Alcântara e da Rocha do Conde de Óbidos (1943-48), os vitrais da Igreja do Santo Condestável (1951) ou o painel “Começar” para o hall do edifício sede da Fundação Calouste Gulbenkian (1969).
Ernesto de Sousa (José) (Lisboa, 1921-1988) Frequentou a Faculdade de Ciências de Lisboa (curso de Físico-Química) e os cursos de Cinema da Cinemateca Francesa, Sorbonne e Institut de Hautes Études Cinematographiques de Paris. Também em Paris, onde viveu de 1949 a 1952, frequentou aulas de Arte na École du Louvre e de iniciação às artes plásticas com Jean d’Yvoire. Leccionou na Sociedade Nacional de Belas Artes entre 1966 e 1969 (Curso de Formação Artística, Técnicas da Comunicação e Estética do Teatro e do Cinema). Entre 1960 e 1980, orientou diversos cursos e proferiu conferências em Portugal e no estrangeiro dedicadas à arte vídeo, ao happening e à performance. A sua obra multifacetada abrange, entre outras actividades, a fotografia, o cinema, as artes visuais, o teatro, o jornalismo e a rádio. Em 1947 fundou o primeiro cine-clube português (Círculo de Cinema). Foi redactor principal da revista Imagem (1956-61) e colaborador de Plano Focal, entre outras publicações. De 1958 a 1962, realizou o filme “Dom Roberto”, com o qual alcançou dois prémios no Festival de Cannes de 1963. Ao longo da sua vida participou em diversas mostras individuais e colectivas, das quais destacamos a apresentação dos mixed-media “Nós Não Estamos Algures” (Algés, 1969), “Luís Vaz 73” (Gent, 1975) e “Almada, Um Nome de Guerra” (Madrid, Barcelona, Lisboa, Évora, 1969-1983), em colaboração com o compositor português Jorge Peixinho. Como comissário organizou, entre outras, a exposição colectiva “Alternativa Zero” (Galeria Nacional de Arte Moderna, Lisboa, 1977) e as representações portuguesas na Bienal de Veneza em 1980, 1982 e 1984. Publicou vários livros de ensaios, entre eles “Re Começar – Almada em Madrid”(1983), e inúmeros artigos dedicados sobretudo à arte - da arte popular ao mixed-media e à interdisciplinaridade.
+ info em http://www.ernestodesousa.com/
E. Mello e Castro (Covilhã, 1932) Poeta, ensaísta e professor Universitário, formou-se em Engenharia Têxtil (Bradford, UK, 1956) e doutorou-se em Letras na Universidade de São Paulo (1998). Colaborador activo e teórico da Poesia Experimental Portuguesa durante a década de 60, introduziu a poesia concreta em Portugal (Ideogramas, 1962) e foi um pioneiro da vídeopoesia (Roda Lume,1968). Desde 1978 que se dedica à prática inventiva de infopoesia, pesquisando as relações poéticas entre arte e tecnologia.
Autor de cerca de 30 livros de poemas publicados desde 1952 e de 19 livros de ensaios de crítica e teoria literária, grande parte da sua poesia encontra-se reunida em “Trans(a)parências” (Tertúlia, Sintra, 1989), livro galardoado com o Grande Prémio de Poesia Inaset – Inapa. Em 2006 o Museu de Serralves organiza uma exposição retrospectiva da sua obra intitulada “O Caminho do Leve”.
Fátima Lambert (Porto) Licenciada em Filosofia, tornou-se Mestre em 1986 com a tese “A Estética Pessoana no Modernismo Português” e Doutorada em 1998 com o trabalho “Fundamentos filosóficos da Estética em Almada Negreiros” pela Faculdade de Filosofia de Braga, da Universidade Católica Portuguesa. Coordenadora da “Comissão para o Ensino Artístico” do Ministério da Educação (1996/1997) e investigadora do projecto “Writing and Seeing” da Fundação da Ciência e Tecnologia (2003-2005), desde 2000 que exerce a docência e coordena o departamento de Estética e Educação da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto. Autora de monografias sobre os artistas portugueses Cruz-Filipe, Pedro Casqueiro e Manuel Casimiro (Ed. Caminho, Lisboa, 2006) escreveu, também, os livros “Escultura Portuguesa no séc. XX” e “Pintura Portuguesa Contemporânea” e organizou a publicação “Writing and Seeing – Essays on Word and Image” (com Rui Carvalho Homem) lançado pela editora Rodopi, Amsterdão, em 2006; “Olhares e Escritas”, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2007; e “Entre a Palavra e a Imagem” editado pela Dardo, Santiago de Compostela, 2007. Foi curadora de exposições como “Porto 60/70: os Artistas e a Cidade” (Museu de Serralves, Porto 2001 Capital da Cultura), “Olhares e Escritas na Arte portuguesa desde 1960” (Porto, Galeria Municipal do Palácio de Cristal, 2003), “Entre a Palavra e a Imagem” (Fundación Luís Seoane, A Corunha/Espanha, 2006 e Museu da Cidade de Lisboa, 2007), foi a curadora portuguesa no contexto do Salon Européen de Jeunes Créateurs de Montrouge (2002-2007) e convidada para a curadoria da XV Bienal de Cerveira (2009). É, ainda, a responsável pela programação e curadoria da Quase Galeria - Espaço T, Porto.
Fernando Aguiar (Lisboa, 1956) Licenciado em Design de Comunicação pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, desde 1972 que se dedica à poesia experimental e visual tendo as suas intervenções/performances poéticas sido apresentadas em vários países do mundo. Poeta, professor e ensaísta, organizou o “1º Festival Internacional de Poesia Viva” (Figueira da Foz, 1987) e recebeu, no âmbito do IV Congresso Brasileiro de Poesia, o prémio “Laconicus” por mérito cultural. Ao longo do seu percurso artístico tem participado em inúmeros festivais internacionais de poesia e de performance, exposições, bem como organizado diversas outras dedicadas a este tema.
Filomena Sousa Gomes (n. 1962) Entre 1966 e 1968 frequenta o Curso de Formação Artística baseado nas teorias da Bauhaus, realizado na Sociedade Nacional de Belas Artes. No ano seguinte participa no Exercício de Comunicação Poética “Nós Não Estamos Algures” encenado por Ernesto de Sousa. A partir de 1996 passa a integrar a equipa do Serviço de Educação e de Comunicação do Museu Nacional de Arte Antiga e entre 1996 e 2006 é professora orientadora de um projecto cultural concebido na Escola Superiora de Educadores Maria Ulrich.
João Fernandes (Bragança, 1964) Foi curador independente entre 1992 e 1996, tendo comissariado as “Jornadas de Arte Contemporânea” (1992-96) no Porto, bem como a representação portuguesa à primeira Bienal de Joanesburgo, em 1995 (Luís Campos, Ângela Ferreira, Ana Jotta e Roger Meintjes), à Bienal de São Paulo de 1998 (Lourdes Castro e Francisco Tropa) e à Bienal de Veneza de 2003 (Pedro Cabrita Reis). É Director do Museu de Serralves desde 2003, depois de aí ter desempenhado as funções de Director Adjunto entre 1996 e 2003.
José Manuel Bártolo (n. 1972) é licenciado em Filosofia, Mestre em Estética e Doutorado em Ciência da Comunicação pela FCSH da Universidade Nova de Lisboa. Desde 1995 colaborou com diversas instituições de ensino e, actualmente, exerce funções de docência na Escola Superior de Artes e Design (instituição da qual é presidente do conselho científico) e na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto. É ainda investigador no Centro de Estudos de Comunicação e Linguagem da Universidade Nova de Lisboa. Curador independente desde 1998, foi Director Artístico da Casa dos Dias D’Água e tem trabalhado com diversas instituições (IADE, Instituto das Artes, British Council, Experimentadesign, CEMES etc.). Publica, regularmente, artigos sobre arte, design e cultura visual. É colaborador da Arte Capital (www.artecapital.net), membro do Conselho Editorial da Revista de Comunicação e Linguagens, editor da Resdomus e autor do blogue Reactor (http://reactor-reactor.blogspot.com/).
Jari Marjamaki, é músico, DJ e produtor finlandês residente em Lisboa desde o início dos anos 90. Como Zentex, editou já na Traum, Kickboxer, Resopal, Minisketch, Archipel e nas portuguesas Bloop e Plot. Para além de concertos ao vivo (como Zentex) e do trabalho como DJ (como Yari), tem trabalhado nos projectos Deestant Rokers, Monokone, Strip, 3 Wise Man. Animou o programa Ballet Mecânico nas estações de rádio lisboetas Oxigénio e Química.
Leonel Moura (Lisboa, 1948) Conhecido pelo seu trabalho artístico no qual faz uso da robótica e da inteligência artificial foi em 2003 que criou a primeira geração de robôs pintores capazes de produzir, de forma autónoma e baseados no comportamento emergente, obras de arte originais. Em 2006 surge o RAP (Robotic Action Painter) que passa a figurar na colecção permanente do Museu de História Natural de Nova Iorque e que, para além da produção de pinturas, decide por si próprio o momento em que estas estão terminadas assinando-as. Também em 2006 cria o ISU (O Robô Poeta) que constrói composições pictóricas com letras, palavras e manchas de cor, muito ao estilo da Poesia Concreta e do Letrismo, baseando o seu nome no de Isidore Isou, criador deste movimento. Em 2007 é inaugurado o Robotarium em Alverca, primeiro equipamento do género em todo o mundo que se configura como uma espécie de pequeno jardim zoológico dedicado à vida artificial. Para além da arte robótica, Leonel Moura dedica-se igualmente à arquitectura e tem produzido uma continuada reflexão sobre a Criatividade, Inovação e a Cidade na linha do conceito das Cidades Criativas. Designado pela Comissão Europeia Embaixador do Ano Europeu da Criatividade e da Inovação é também colunista do Jornal de Negócios.
Lula Pena (Lisboa, 1974) Estudou Design Gráfico e Comunicação Visual na Escola António Arroio mas é à música que mais se tem dedicado. Dona de uma voz invulgar que faz acompanhar à guitarra, lançou em 1998 o CD “Phados”, um dos mais belos e aclamados trabalhos da música portuguesa recente onde as referências ao fado se cruzam com as da música tradicional portuguesa.
M. M. Malaquias (Lisboa, 1946) Gráfico, iniciou a profissão no jornal Gazeta do Sul, Montijo, 1959. No mesmo ano entra na Empresa Nacional de Publicidade (Anuário Comercial) onde iniciou a especialidade de compositor tipográfico manual e posteriormente mecânico (linotipista) através de exames profissionais na Imprensa Nacional e na firma Bertrand (Irmão), Lda. Durante o período do serviço militar esteve na Secção de Publicações do Estado-Maior do Exército nas especialidades da tipografia. Como compositor-linotipista trabalhou no jornal Diário de Lisboa, anos 1967 a 1969. De regresso ao Anuário Comercial, em 1971 é responsável pelo sector de composição mecânica (Linotype, Monotype e fundição de caracteres); no ano de 1973, com a introdução das novas técnicas de composição, é transferido para o sector de fotocomposição como responsável do mesmo; publicou o Catálogo de Tipos da então Empresa Pública Notícias e Capital (BN B.A.D. 1069 V). Em 1978 transferiu-se para a Imprimarte, SA (Páginas Amarelas) onde formou o sector de fotocomposição. Cursou na Linotype Paul, em Cheltenham, e participou com o INESC em vários projectos relacionados com a informatização e automação da paginação,; com Ladislas Mandel desenvolveu o desenho de caracteres tipográficos na criação do typeface para as listas telefónicas e introduziu e desenvolveu o Desktop Publisher na tipografia. Colaborou em várias publicações, entre as quais a revista O Gráfico (1965 a 1967). Actualmente é colaborador dos Cadernos de Tipografia e Design.
Miguel Sá (Porto, 1973) Artista multidisciplinar, foi co-fundador do colectivo de música electrónica Zzzzzzzzzzzzzzzzzp! (1991-2002), com o qual editou os álbuns "Ficta 003" (Ananana) e "Fb56"(Fal.sh) e participou em diversas compilações e eventos nacionais e internacionais. Com Fernando Fadigas formou a dupla DJ Tra$h Converters e o projecto musical Producers, que editou o álbum "7/10" (Fundação Calouste Gulbenkian). Em 2004 integrou o Lumpen Trio. É Actualmente membro dos colectivos Whit, Serendip e A Parte Maldita. Em paralelo à sua actividade de músico fundou em 1990, com Paulo Vinhas e Jorge Pereira, a loja de discos e promotora de eventos Matéria Prima, e em 2001 a editora/produtora Variz. Foi programador e co-produtor dos festivais SuperStereo Demonstration (ZDB - 2002; Castelo de Linhares da Beira - 2005) e Número-Projecta (Cinema S. Jorge – 2006, 2007). Actualmente está envolvido como artista, produtor e programador no evento anual VilaTone - Vilamoura Mixed Media & Music Festival (Museu Arqueológico do Cerro da Vila).
Paulo T. Silva (1970) Licenciou-se em Design Visual no IADE (1994) e possuí formação complementar em várias vertentes do Design e das Artes Visuais. É docente no IADE, no Mestrado em Design e Cultura Visual (Estudos de Tipografia e Videoarte) e no Curso Profissional de Fotografia (Videoarte). Colabora, também, com a Restart como formador no Curso de Design Gráfico e New Media, nível 1 (módulo de Desenho Editorial e Identidade Corporativa). Foi sócio fundador e designer da empresa Bold Design (1996-2002). Desenvolve projectos independentes enquanto designer gráfico e outros que focam o seu interesse pela transdisciplinaridade destacando-se: “Reflexão”, instalação vídeo/som (Convento dos Cardaes, Lisboa, 2005); “Travessia de Fronteira” - parte 1, instalação diapositivos/fotografia (Sala do Veado, Museu de História Natural, Lisboa, 2007); “Som de Horas”, instalação diapositivos/som em co-autoria com Marta Traquino (Encontros de Música Experimental, Igreja de Santiago, Palmela, 2007).
Rui Eduardo Pais (Ilha de Moçambique, 1961) Autor de vários livros sobre as músicas experimentais e improvisadas, sempre em relação com as demais artes e com temas da filosofia, da sociologia e da antropologia, Rui Eduardo Paes é o editor da revista jazz.pt e escreve para diversas publicações europeias, a exemplo da Oro Molido (Espanha) e da Revue & Corrigée (França), mantendo ainda um website pessoal com entrevistas, artigos e críticas de discos em Português, Inglês e Francês (http://rep.no.sapo.pt). Foi um dos fundadores da Bolsa Ernesto de Sousa, a cujo júri pertence como representante da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, e integrou a Comissão de Apreciação dos Apoios Sustentados de 2005-2008 para a região de Lisboa e Vale do Tejo do Instituto das Artes – Ministério da Cultura português, como especialista na área da música. É, com Carlos "Zíngaro", co-director artístico da Granular (http://www.granular.pt), associação cultural sem fins lucrativos que tem como propósito promover o experimentalismo nas artes sonora e audiovisual portuguesas. Dele disse o crítico musical e músico britânico Dan Warburton (The Wire, Paris Transatlantic, Signal to Noise): “Paes é um exemplo de algo raro: um jornalista cujo trabalho é tão essencial e informativo quanto bem investigado e apaixonado.